sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ÚLTIMA PARTE - HISTÓRIA DO CORRETOR

Para finalizar, aí está o capítulo final da HISTÓRIA DO CORRETOR.

Boa leitura!


Matéria retirada do site do COFECI.



CONQUISTA E RECONHECIMENTO

Nos anos 40 os Corretores de Imóveis faziam parte de uma categoria organizada e reconhecida por toda a sociedade. Os sindicatos tinham uma estreita ligação com as associações comerciais, conseguindo estender aos seus associados todas as garantias conquistadas pelos trabalhadores brasileiros. Uma prova é o Decreto n.º 5.493 de 9 de abril de 1940, pelo qual os Corretores de Imóveis eram segurados no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, pagando seguro anual obrigatório.
Outra conquista importante foi o reconhecimento da capacidade técnica desses profissionais por parte do poder público, que passou a considerar como avaliação oficial a que era feita pelo Sindicato de Corretores de Imóveis, repartição arrecadadora ou por via judicial. Graças a este convênio, os Corretores sindicalizados passaram a utilizar nos seus anúncios, depois do nome do escritório, a expressão "do Sindicato dos Corretores de Imóveis", ou "filiado ao Sindicato dos Corretores de Imóveis".

É claro que a história desta profissão é muito mais extensa e detalhada do que esses 3 posts que disponibilizei para vocês. O intuito é sempre contribuir com informações relevantes a respeito do tema escolhido. Destacando sempre a fonte de onde os textos foram captados.

O intuito do Blog é gerar debates inteligentes a respeito de cada tema. É invariavelmente repudiado qualquer tipo de ofensa nos debates.

Obrigado, espero que aprendam um pouco!

História do Corretor - Segunda Parte

Como prometido, segue a segunda parte da reportagem sobre A HISTÓRIA DO CORRETOR DE IMÓVEIS.

Tenham uma boa leitura!

Lembrando que todo o conteúdo foi retirado do site do COFECI.


SÉCULO XX - SURGE A PROFISSÃO

A sociedade brasileira, no início do século XX, ainda era estratificada, a posição social era determinada pela propriedade fundiária, a maior parte da população vivia na zona rural. Ainda era inexpressiva a classe média ou de industriais, já que a economia brasileira era caracterizada como agroexportadora, principalmente de café. Surge a pequena burguesia, ligada ao funcionalismo público e às atividades especulativas financeiras. O desenvolvimento das cidades faz com que a comercialização de imóveis, por intermédio dos anúncios em jornal, se tornasse constante, passando a existir como forma de vida, como profissão.
O Corretor de Imóveis nessa época era conhecido como agente imobiliário. Como não existiam cursos de formação relativos à area, a escola da vida acabou formando os primeiros profissionais, que passaram a viver exclusivamente da intermediação imobiliária.

A ESCOLA DA VIDA

Um exemplo do surgimento dos profissionais é o relato de Daniel Bicudo, irmão de Argemiro Bicudo, publicado no jornal A Tribuna, em 12 de fevereiro de 1971. O Corretor e empresário Argemiro Bicudo participou da fundação da primeira associação da categoria. Esta história representa a de muitos outros Corretores, que deixaram sua cidade natal e foram para os grandes centros, descobrindo no mercado imobiliário sua verdadeira vocação.
"Indo de Santos para São Paulo por volta de 1910, onde se fixaria com a pequena experiência adquirida e com a grande decisão de trabalhar sozinho e livre, Argemiro se aventuraria como AGENTE AVULSO DE NEGÓCIOS, sem a necessidade de escritório e apenas munido de cartões de endereço, caderninho de apontamento e lápis Faber.
O jornal era um elemento produtor de negócios, único possível naquele meio desconhecido. Na época, o mais lido era o Diário Popular, e Argemiro se fez leitor atento dos "anuncinhos" de letra, recortando alguns, de oferta e procura imobiliária, a fim de iniciar os contatos. Através deles, passou a ter negócios para oferecer mediante publicidade modesta. Em cinco linhas de letrinha 'mosquito', a oferta, seu nome Argemiro somente, em 'caixa alta', e a indicação telefônica do negociante vizinho à sua moradia, no Brás.
Foi o ponto de partida para a ascensão de sua atividade. Se estabeleceu na rua Onze de Agosto, próximo dos escritórios de acreditados corretores naquele tempo, tais como: H. S. Cauby, Leven Vampré, Adelino Alves, Hugo de Abreu, Floriano de Toledo. O Largo do Café era o centro eleito pelos endereços desses escritórios, formando uma bolsa imobiliária, que estendia-se pelas imediações.
O escritório de Argemiro deixou a rua Onze de Agosto, para a Benjamim Constant, quase Praça de Sé. Para o novo endereço (Edifício Gaseau - na rua Benjamim Constant n.º 9 - 2º andar), levou a orientação idêntica e exclusiva de Corretor de Imóveis e começou a mostrar-se a fase mais expressiva do corretor. Traçou e vendeu terrenos à prestação e a prazo longo; ao mesmo tempo intermediava empréstimos para construir, fornecia plantas para casa econômicas e transmitia entusiasmo. Em tais casos, era difícil ser apenas intermediário e Argemiro foi se tornando, por força do ofício, também proprietário de imóveis".


O CORRETOR NORDESTINO

A figura do Corretor de Imóveis na Paraíba surge mais efetivamente a partir do início deste século. Mesmo sem a denominação de Corretor ou de vendedor de imóveis, alguns profissionais, exercendo paralelamente outras atividades, passaram a se notabilizar como intermediadores de negócios imobiliários na capital - João Pessoa. A conquista da clientela nesse tempo se dava pela perseverança: quanto mais tempo se tinha na função, mais se era conhecido como um mediador de negócios imobiliários. A pouca concentração populacional também favorecia essa forma indireta de propaganda e, quando aparecia alguém interessado em comercializar um imóvel, rapidamente um dedo indicador apontava o local onde provavelmente o "Corretor" poderia ser encontrado.
Há registros de anúncios de imóveis já nas primeiras edições do jornal A União (diário que circula até hoje e que foi fundado em 1893), mas não há dados que permitam a vinculação desses anúncios, àquela época, aos profissionais do setor. Os anúncios normalmente eram promovidos pelos interessados diretos do negócio.



Da esquerda para a direita: Orlando Feitosa, Amiraldo, Newton Feitosa e Roberto M. Cunha Lima
Orlando Feitosa, que figura entre os Corretores vivos como o mais antigo, aposentado e de Creci n.º 006, conta que o seu pai, João de Freitas Feitosa (1895-1962), no início dos anos 20, começou a desenvolver várias atividades no comércio, inclusive a de intermediador de negócios imobiliários. Segundo Orlando, seu pai, junto com um contínuo do jornal A União, conhecido por Antônio, e um outro senhor de nome Vicente Costa, eram, àquela época, os Corretores que se destacavam na capital paraibana. Pelo trabalho que desenvolviam, eram normalmente remunerados com dois por cento do valor total do negócio. "Naquele tempo não havia nenhuma lei que obrigasse o vendedor ou comprador a pagar a comissão, no entanto havia o instituto da palavra que, na maioria dos casos, valia mais que qualquer assinatura", afirma Orlando. "Não lembro de que meu pai tenha ficado uma vez sequer sem receber pelo serviço que prestara. Se aconteceu ele não me contou", completa.
Orlando Feitosa vendeu o seu primeiro imóvel em 1934 e desde então, até a sua aposentadoria, mesmo quando exercia outras atividades, não deixou de atuar como Corretor de Imóveis. Orlando foi também, entre os paraibanos, o primeiro a demonstrar espírito classista, vindo a somar, mais tarde, com Ivenaldo da Silva de Figueiredo Carvalho e Hermogenes Paulino do Bomfim (Bomfim), nas lutas pela regularização da profissão na Paraíba.
                                    

Posteriormente será postada a última parte da HISTÓRIA DO CORRETOR DE IMÓVEIS.
Em seguida trataremos do que realmente importa: análise e tendências do mercado imobiliário.

O INÍCIO

Para a primeira postagem, reservei um espaço para a história do profissional responsável pelo desenvolvimento do mercado imobiliário mundial: o Corretor de Imóveis.

O conteúdo da primeira postagem foi retirado do site do COFECI.

Tenham uma boa leitura!


O PRIMEIRO CORRETOR

A profissão do Corretor de Imóveis no Brasil vem desde o tempo da colonização, onde as pessoas ganhavam a vida arrumando pousadas para os desbravadores deste país. Como se trata de uma atividade que visa o desenvolvimento, o progresso e a concretização dos ideais, pode-se afirmar, de maneira figurada, que Pero Vaz de Caminha deu início às atividades de corretagem. Ao escrever para Portugal descrevendo o Novo Mundo, atuou como um Corretor de Imóveis.

PRIMEIRO DOCUMENTO HISTÓRICO DO BRASIL

Carta de sete folhas em que Pero Vaz de Caminha conta a El-Rei Dom Manuel as novas do descobrimento dessas terras, no dia 21 de abril de 1500, cujo original se encontra no Arquivo Nacional da Tôrre do Tombo, Portugal".

"Senhor. Pôsto que o capitão desta vossa frota e assim os outros capitães escrevem a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso conta a Vossa Alteza, assim como melhor puder, ainda que para bem contar e falar, o saiba pior que todos fazer (...) E, portanto, senhor do que hei de falar começo e digo: que a partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira 9 de março, e sábado do dito mês, entre as 8 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária; e ali andamos todo aquêle dia em calma, à vista delas, obra de três ou quatro léguas; e domingo 22 do dito mês, às 10 horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, (...) e assim seguimos nosso caminho por este mar de longo até terça-feira das oitavas da Páscoa, que foram vinte e um dias de abril, que topamos alguns sinais de terra..."

VENDA DE IMÓVEIS NO BRASIL COLONIAL

Não há como negar que a vinda da família real portuguesa para o Brasil tirou-nos da abandonada e explorada condição de Colônia para a situação de Reino Unido a Portugal e Algarves. Disso resultou uma progressiva e ampla reorganização administrativa, que começou com a transferência de todas as secretarias de Estado, suas repartições e tribunais, que antes funcionavam em Lisboa. Veio para o Brasil o Conselho de Estado, as mesas do Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens, o Conselho da Fazenda, o Conselho Supremo Militar. A Casa de Relação do Rio de Janeiro foi elevada à condição de Casa da Suplicação, isto é, passou a ser considerada um Tribunal Superior. Criaram-se as academias Militar (exército) e da Marinha, Hospital Militar, Arquivo Público, a Intendência Geral da Polícia, entre outros.
O mais festejado historiador brasileiro da atualidade, Boris Fausto, professor do Departamento de Ciências Políticas da USP, em seu livro, História do Brasil *, comenta nas páginas 125 a 127:
"A vinda família real portuguesa deslocou definitivamente o eixo da vida administrativa da colônia para o Rio de Janeiro, mudando também a fisionomia da cidade. Basta dizer que, durante o período de permanência de Dom João VI no Brasil, o número de habitantes da capital dobrou de cerca de 50 mil a 100 mil pessoas. A presença da corte implicava uma alteração do acanhado cenário urbano da Colônia."
As cidades começaram a tomar uma forma mais urbana, com infra-estrutura. Com o seu crescimento, começou a nascer uma nova profissão, a de agente de negócios imobiliários. No início eram comerciantes locais que passaram a ter seus rendimentos aumentados com a intermediação imobiliária, ou então leiloeiros, que se especializaram neste ramo com o potencial do mercado imobiliário.
Em seguida, vieram os agentes imobiliários, pessoas que, com um caderno de apontamentos na mão, muita disposição e o sonho de vencer na vida, passaram a intermediar negócios imobiliários utilizando os anúncios nos jornais para divulgar suas ofertas, e a sola dos sapatos para identificar os vendedores e deles adquirir a autorização para a venda".


Para que a leitura não fique cansativa, a reportagem será dividida em partes.
Logo mais a continuação da incrível história dos corretores.